Sermão
O Clamor e o Triunfo do Avivamento Bíblico
AVIVAMENTO DA IGREJA
Senhor, ouvi falar da tua fama; tremo diante dos teus atos, Senhor. Aviva a tua obra no meio dos anos, faze-a conhecida no meio dos anos; na tua ira, lembra-te da misericórdia. (Habacuque 3:2)
— Habacuque 3:1-19
Introdução
A palavra 'avivamento' é frequentemente mencionada em nossos púlpitos, mas raramente compreendida em sua profundidade bíblica. Vivemos dias em que muitos buscam o avivamento como um espetáculo emocional ou um crescimento numérico superficial. No entanto, o verdadeiro avivamento, conforme as Escrituras, é um retorno à vida espiritual fervorosa através do conhecimento de Deus, do arrependimento e da confiança absoluta em Sua soberania. O livro do profeta Habacuque nos oferece um dos roteiros mais profundos sobre o que significa ser avivado em tempos de crise. Habacuque não escreveu em um momento de prosperidade, mas em um período de declínio moral, violência e juízo iminente sobre a nação de Judá.
Nesta exposição do capítulo 3 de Habacuque, veremos que o profeta começa com uma oração angustiada e termina com um hino de triunfo. Ele caminha do temor diante da santidade de Deus para a alegria inabalável na salvação do Senhor. O contexto é de um homem que questionou a Deus sobre a injustiça e recebeu uma resposta que o deixou atônito: Deus usaria os babilônios, uma nação ímpia, para disciplinar o Seu povo. Diante dessa realidade dura, o profeta não se revolta, mas se ajoelha. Ele entende que a sobrevivência e a vitalidade do povo de Deus dependem exclusivamente da intervenção divina e da memória de Seus feitos passados.
Hoje, como igreja, enfrentamos desafios semelhantes. O mundo ao nosso redor parece estar em caos, e muitas vezes a frieza espiritual tenta se instalar em nossos corações. O capítulo 3 de Habacuque é o grito de um coração que deseja ver Deus agindo novamente. Vamos mergulhar neste texto para compreender que o avivamento não é fabricado pelo homem, mas é uma obra soberana de Deus que transforma o nosso medo em fé e a nossa murmuração em adoração. Que o Espírito Santo abra o nosso entendimento para recebermos a Palavra que aviva a alma e renova as nossas forças para prosseguirmos na jornada cristã.
1. O Clamor pelo Avivamento no Meio da Crise
Habacuque 3:1-2
O capítulo 3 começa com o que a Bíblia chama de 'uma oração do profeta Habacuque'. O versículo 2 é o coração deste sermão: 'Senhor, ouvi falar da tua fama; tremo diante dos teus atos, Senhor. Aviva a tua obra no meio dos anos, faze-a conhecida no meio dos anos; na tua ira, lembra-te da misericórdia'. Para entender o avivamento, precisamos primeiro entender o temor. Habacuque diz que 'tremeu'. O avivamento real não começa com riso, começa com tremor diante da majestade de um Deus que julga o pecado. O profeta ouviu sobre o que Deus fez no passado e percebeu a distância entre a santidade de Deus e o estado atual de Judá.
A expressão 'no meio dos anos' refere-se ao tempo de espera, ao tempo entre a promessa e o cumprimento, ou ao tempo de aflição sob o juízo. Habacuque está pedindo que Deus aja agora, no presente momento de crise. Ele não quer apenas ler sobre o que Deus fez no Êxodo; ele quer ver Deus agindo em sua própria geração. O clamor por avivamento é, portanto, um pedido para que a vitalidade espiritual seja restaurada enquanto ainda estamos no meio da jornada terrena. É reconhecer que, sem a intervenção contínua de Deus, a igreja tende ao declínio e à letargia.
Um aspecto crucial deste pedido é o apelo à misericórdia: 'na tua ira, lembra-te da misericórdia'. Habacuque sabe que Judá merece o castigo. Ele não está pedindo justiça, pois a justiça seria a destruição total. Ele está pedindo misericórdia. O avivamento bíblico é sempre acompanhado por uma consciência profunda da nossa indignidade. Só é verdadeiramente avivado quem entende que depende totalmente da graça de Deus. Quando a igreja para de se orgulhar de seus programas e se prostra reconhecendo sua necessidade de perdão, o terreno para o avivamento está preparado.
Além disso, o profeta pede que a obra de Deus seja 'conhecida'. O objetivo do avivamento não é a exaltação de um pregador ou de uma denominação, mas que a fama de Deus se espalhe. No contexto pentecostal, entendemos que isso envolve a manifestação do poder de Deus, mas o texto nos lembra que esse poder serve para glorificar o nome do Senhor. Um avivamento que foca no homem é falso. O avivamento que Habacuque busca é aquele que faz com que todos reconheçam que o Senhor é Deus e que Ele está agindo soberanamente na história humana.
Portanto, o primeiro passo para o avivamento é a oração humilde. É o reconhecimento de que 'ouvimos a fama' e agora desejamos a 'experiência'. É trocar o conforto da religiosidade morna pelo temor reverente. Se quisermos ver um renovo em nossas vidas, precisamos voltar ao lugar de oração onde clamamos: 'Senhor, não olhes para os nossos méritos, mas na Tua ira, lembra-te da Tua misericórdia e faze a Tua obra prosperar entre nós hoje'.
2. A Visão da Glória e do Poder de Deus
Habacuque 3:3-16
Do versículo 3 ao 15, Habacuque entra em uma visão teofânica, ou seja, uma manifestação da glória de Deus. Ele descreve Deus vindo de Temã e do monte Parã. Ele usa imagens poderosas: 'Sua glória cobriu os céus e seu louvor encheu a terra' (v. 3). Ele fala de raios brilhando em Suas mãos e de pragas indo diante d’Ele. Esta parte do texto é poética, mas carrega uma verdade teológica densa: o Deus do avivamento é o Deus da criação e da história. Ele é o Deus guerreiro que intervém para salvar o Seu povo e julgar os inimigos.
O profeta descreve a natureza reagindo à presença de Deus: montanhas se desintegrando, o mar se agitando e o sol e a lua parando. Isso nos ensina que, quando Deus se manifesta em avivamento, nada permanece igual. As estruturas antigas e sólidas da nossa autoconfiança e do nosso pecado são abaladas. O avivamento não é uma 'brisa suave' que nos deixa confortáveis em nosso pecado; é uma tempestade divina que purifica e realinha tudo conforme a vontade do Criador. A visão da glória de Deus faz com que Habacuque perceba que, embora os babilônios sejam fortes, o Deus de Israel é infinitamente superior.
Note que o versículo 13 diz: 'Saíste para salvar o teu povo, para libertar o teu ungido'. Aqui está a finalidade do agir poderoso de Deus: a redenção. Deus não mostra Sua força apenas para exibir poder, mas para resgatar aqueles que Lhe pertencem. No contexto da igreja cristã, entendemos que a maior manifestação desse poder redentor foi na Cruz e na Ressurreição de Cristo. O avivamento é o Espírito Santo trazendo essa realidade da vitória de Cristo para o nosso presente, fazendo-nos ver a majestade do Salvador acima de qualquer potestade ou principado das trevas.
A descrição de Deus pisando o mar com seus cavalos (v. 15) alude ao Êxodo, lembrando o povo que o mesmo Deus que os tirou do Egito ainda está no trono. O avivamento requer que olhemos para trás, para as obras de Deus na história bíblica, e tenhamos a fé renovada para crer que Ele fará o mesmo hoje. A igreja pentecostal crê que o Deus de Atos 2 é o Deus de hoje. Habacuque nos ensina que a base da nossa confiança não está nas circunstâncias políticas ou econômicas, mas na revelação da glória e do poder de Deus que governa o universo.
Ver a glória de Deus também produz humildade. O versículo 16 diz: 'Ouvi isso, e o meu íntimo se estremeceu, meus lábios tremeram; a podridão entrou nos meus ossos; minhas pernas vacilaram'. Esta reação física de Habacuque mostra que ninguém pode contemplar a santidade de Deus e permanecer orgulhoso. O verdadeiro avivamento quebra a nossa altivez. Quando o Espírito Santo nos mostra quem Deus é, nós percebemos quem nós somos — pecadores dependentes. Essa visão da glória é o que sustenta o crente para 'esperar tranquilamente o dia da desgraça que virá sobre o povo que nos ataca'. O avivado tem paz no meio da tempestade porque viu Aquele que controla a tempestade.
3. O Triunfo da Fé e a Alegria Inabalável
Habacuque 3:17-19
Chegamos agora a uma das passagens mais belas e citadas de toda a Bíblia: os versículos 17 a 19. Após clamar e ver a glória de Deus, a perspectiva de Habacuque muda radicalmente. Ele começa descrevendo um cenário de desolação total: 'Mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras; mesmo não havendo ovelhas no curral nem bois nos estábulos...'. Para uma sociedade agrária, isso significava falência, fome e morte. Era o pior cenário possível.
Contudo, o versículo 18 contém a conjunção que muda tudo: 'todavia, eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação'. Aqui está a prova final do verdadeiro avivamento. O avivamento não é medido pela abundância de bens materiais ou pela ausência de problemas. O avivamento é a capacidade dada pelo Espírito Santo de se alegrar em Deus quando tudo ao redor está desmoronando. É uma alegria que não brota do 'ter', mas do 'ser' propriedade de Deus. É a transição da fé circunstancial para a fé incondicional.
Habacuque afirma: 'O Senhor Soberano é a minha força' (v. 19). Ele não diz que sua força está em suas estratégias de defesa ou em suas reservas de comida. A fonte da sua energia vital é o próprio Jeová. Um crente avivado é alguém que parou de tentar se sustentar por conta própria e aprendeu a extrair sua força diretamente do Trono da Graça. É por isso que o avivamento é tão necessário: ele nos desconecta das fontes secas deste mundo e nos liga à Fonte Eterna. Quando Deus é a nossa força, somos capazes de suportar pressões que destruiriam qualquer pessoa comum.
O profeta prossegue dizendo que Deus 'faz os meus pés como os da corça; ele me habilita a andar em lugares altos'. A corça é um animal conhecido pela sua agilidade e segurança ao caminhar em penhascos perigosos. O avivamento nos dá essa 'segurança espiritual'. Mesmo em terrenos escorregadios de provação, tentação ou perseguição, o crente avivado caminha com firmeza. Ele não vive no vale do desespero, mas o Senhor o eleva aos 'lugares altos' da comunhão e da visão espiritual. Andar em lugares altos significa ter a perspectiva de Deus sobre a vida, em vez de uma perspectiva puramente terrena.
Finalmente, o avivamento produz uma adoração contínua. A nota final, 'Para o diretor de música. Sobre os meus instrumentos de cordas', indica que esta oração deveria ser cantada no culto público. O avivamento que começou no secreto do coração de Habacuque torna-se uma canção de vitória para toda a comunidade. O resultado de uma vida avivada é o testemunho e o louvor que contagiam outros. A igreja avivada é aquela que, mesmo em tempos de crise econômica ou moral, continua cantando, não porque ignora a dor, mas porque conhece o Deus que é maior que qualquer dor. O triunfo da fé é o clímax do avivamento.
Conclusão
O avivamento que o texto de Habacuque nos ensina não é um evento isolado de gritaria ou emoção momentânea, mas uma transformação profunda baseada no conhecimento de Deus e na submissão à sua vontade. Quando oramos "aviva a tua obra", estamos pedindo que Deus coloque as coisas no lugar, que Ele nos santifique e que a glória d’Ele seja manifesta através de nós, independentemente do que aconteça no cenário político ou econômico. Aprendemos hoje que o verdadeiro avivado é aquele que teme a Deus, que descansa na soberania divina e que escolhe a alegria do Senhor como sua força, mesmo quando as circunstâncias externas são desfavoráveis. O avivamento bíblico nos leva da reclamação à adoração, do medo à confiança absoluta.
Convido você, nesta hora, a olhar para o estado do seu coração e da nossa igreja. Será que temos buscado apenas as bênçãos ou temos buscado o Deus das bênçãos? Se você sente que a sua fé está fria, que o temor se perdeu na rotina ou que a sua alegria depende apenas do seu saldo bancário, hoje é o dia de pedir: "Senhor, aviva a tua obra no meio dos anos". Que a glória de Deus, que cobriu os céus e a terra no passado, cubra a sua vida agora. Vamos nos render a esse Deus que é soberano, santo e salvador. Que a nossa fé não seja baseada em figueiras florescendo, mas no Deus que nunca falha. Venha para o altar da oração e peça um renovo que venha do alto, transformando sua tristeza em gozo e sua dúvida em convicção espiritual. Aproveite este momento de visitação do Espírito Santo.
Oração final
Senhor Deus, Todo-Poderoso, nós te agradecemos por Tua Palavra que é viva e eficaz. Pedimos que, assim como o profeta Habacuque, possamos ter a visão da Tua glória e a consciência da Tua santidade. Senhor, aviva a Tua obra neste lugar. Que o nosso coração arda por Ti, e que o nosso temor seja renovado a cada dia. Perdoa-nos por vezes em que baseamos nossa felicidade em circunstâncias passageiras. Ensina-nos a nos alegrar em Ti, o Deus da nossa salvação, mesmo quando a figueira não floresce. Que a Tua mão poderosa nos sustente e que o Teu Espírito nos guie a um novo tempo de fervor e dedicação. Em nome de Jesus, amém.
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Referências adicionais
- Salmos 85:6
- Isaías 57:15
- Atos 4:31
- 2 Crônicas 7:14
Palavras-chave
- Avivamento
- Habacuque 3
- Soberania de Deus
- Fé no sofrimento
- Espírito Santo