Sermão
A Bendita Esperança: O Retorno do Rei e a Consumação do Reino
A Volta de Jesus
Tito 2:13: "enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo"
— Mateus 24 e 25
Introdução
A doutrina da segunda vinda de Jesus Cristo é uma das colunas mestras da teologia cristã e uma das promessas mais acalentadas pela Igreja em todos os séculos. Desde o momento em que as nuvens O receberam nos olhos dos discípulos no Monte das Oliveiras, a expectativa pelo Seu retorno tem moldado a identidade cristã. Para nós, presbiterianos, que prezamos pela soberania de Deus e pela linearidade da história sob o decreto divino, entender a volta de Cristo não é apenas um exercício de curiosidade escatológica, mas um reconhecimento de que a história tem um propósito e um destino glorioso.
Vivemos hoje em um período que os teólogos chamam de 'o já e o ainda não'. Já fomos redimidos pelo sangue de Cristo, o Reino de Deus já foi inaugurado em nossos corações e na Igreja, mas ainda não experimentamos a plenitude da libertação da criação e a erradicação final do pecado. A volta de Jesus é o evento que fechará essa lacuna, trazendo a consumação de todas as coisas. Este é um tema que deve trazer conforto ao coração aflito, urgência ao cristão acomodado e esperança a todos os que sofrem as injustiças deste mundo presente.
Nesta exposição temática, navegaremos pelas Escrituras para compreender a natureza, o propósito e a aplicação prática dessa verdade fundamental. Veremos que a Bíblia apresenta uma coerência impressionante sobre o retorno do Rei, desde as promessas do próprio Jesus nos Evangelhos até as visões apocalípticas e as exortações apostólicas. Que o Espírito Santo ilumine nossa mente para que não apenas compreendamos a doutrina, mas para que nossos corações queimem pela manifestação da glória de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
1. A Natureza do Retorno: Pessoal, Visível e Glorioso
Atos 1:11; Apocalipse 1:7; 1 Tessalonicenses 5:2
A primeira característica fundamental da volta de Jesus é que ela será um evento pessoal e visível. Diferente de algumas interpretações puramente espiritualistas, a Bíblia é enfática ao dizer que o mesmo Jesus que subiu ao céu voltará da mesma forma. Em Atos 1:11, os anjos disseram aos discípulos: 'Galileus, por que vocês estão aí olhando para o céu? Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado ao céu, voltará da mesma forma como o viram subir'. Isso significa que não se trata de uma vinda simbólica ou apenas 'no coração', mas de um retorno corpóreo e glorioso do Filho de Deus.
Esta vinda é caracterizada pela sua publicidade universal. Apocalipse 1:7 nos diz: 'Eis que ele vem com as nuvens, e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o transpassaram; e todos os povos da terra se lamentarão por causa dele. Assim será! Amém'. Não haverá dúvidas ou necessidade de anúncios na mídia; a manifestação de Cristo será evidente a todos os seres humanos simultaneamente. É a manifestação da 'Epifania' de Cristo, um termo grego que descreve a aparição esplendorosa de um rei.
Além de ser visível, a volta de Jesus será súbita e inesperada para o mundo. O apóstolo Paulo, em 1 Tessalonicenses 5:2, afirma: 'Pois vocês mesmos sabem perfeitamente que o dia do Senhor virá como um ladrão de noite'. A metáfora do ladrão não sugere que Jesus tenha intenções malignas, mas sim o caráter de surpresa do evento. Enquanto o mundo estiver focado em suas rotinas de 'paz e segurança', a intervenção divina cortará a história de forma definitiva.
Por fim, devemos entender que esta volta será em glória e poder. Se em Sua primeira vinda Jesus veio em humildade, nascendo em uma manjedoura e ocultando Sua divindade sob a forma de servo, na segunda vinda Ele virá como o Juiz de toda a terra e o Rei dos Reis. Mateus 24:30 declara: 'Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as nações da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória'. É o triunfo final do Cordeiro que venceu a morte.
Para nós, na tradição reformada, essa soberania manifesta de Cristo traz grande segurança. Sabemos que o caos atual não é o fim. A natureza do retorno de Cristo garante que a autoridade delegada aos homens terá de prestar contas à Autoridade Suprema. A visibilidade do Seu retorno é o selo de que a fé cristã não é baseada em mitos ocultos, mas em fatos históricos que encontrarão sua conclusão histórica e pública diante de toda a criação.
2. O Propósito do Retorno: Julgamento, Ressurreição e Restauração
2 Timóteo 4:1; 1 Coríntios 15:51-52; Apocalipse 21:1-4
O retorno de Cristo não é apenas um evento espetacular, mas possui propósitos definidos no plano de redenção de Deus. O primeiro desses propósitos é o julgamento final. A Bíblia ensina que Deus 'estabeleceu um dia em que julgará o mundo com justiça, por meio do homem que designou' (Atos 17:31). Cristo voltará para separar o trigo do joio, as ovelhas dos bodes. Esse julgamento trará a retribuição final para o mal e a vindicação para aqueles que foram perseguidos por causa da justiça.
Em segundo lugar, a volta de Jesus tem como objetivo a ressurreição dos mortos e a glorificação dos santos. 1 Coríntios 15:22-23 nos assegura: 'Porque, assim como em Adão todos morrem, na mesma forma em Cristo todos serão vivificados. Mas cada um por sua vez: Cristo, o primeiro; depois, quando ele vier, os que lhe pertencem'. A nossa esperança não é viver como espíritos desincorporados, mas a ressurreição do corpo, onde o que é corruptível se revestirá de incorruptibilidade.
Outro propósito central é a restauração de todas as coisas. O pecado afetou não apenas o ser humano, mas toda a criação. Romanos 8:21 diz que 'a própria natureza criada será libertada da escravidão da decadência em que se encontra, recebendo a gloriosa liberdade dos filhos de Deus'. A vinda de Jesus trará os 'novos céus e nova terra, onde habita a justiça' (2 Pedro 3:13). É o fim da maldição do Éden e a restauração da harmonia plena entre o Criador e a criatura.
Além disso, Jesus volta para consumar as Suas Bodas com a Igreja. Em Apocalipse 19, vemos a alegria da ceia das bodas do Cordeiro. Ele volta para buscar Sua Noiva, pela qual Se entregou. Esse é o momento do reencontro eterno, da comunhão perfeita e ininterrupta. A volta de Cristo é o 'felizes para sempre' da história da redenção, onde Deus enxugará dos olhos toda lágrima e a morte não mais existirá.
Como presbiterianos, cremos que essa consumação é o cumprimento do Pacto da Graça. Deus prometeu ser o nosso Deus e que nós seríamos o Seu povo. Na volta de Cristo, essa promessa atinge seu ápice. Não haverá mais pecado para nos separar, nem dúvidas para obscurecer nossa visão de Deus. O Reino que agora é invisível e espiritual se tornará visível, físico e onipresente sobre toda a terra.
3. A Resposta da Igreja: Vigilância, Santidade e Esperança Viva
Mateus 24:42-44; 2 Pedro 3:11-12; 1 João 3:2-3
Dada a certeza e a natureza da volta de Cristo, como devemos viver hoje? A Bíblia nunca apresenta a escratologia para satisfazer o intelecto, mas sempre para transformar o comportamento. A primeira aplicação é a vigilância. Jesus disse em Mateus 24:42: 'Portanto, vigiem, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor'. Vigiar não significa olhar para o céu com binóculos em busca de sinais astrológicos, mas viver uma vida de prontidão espiritual, mantendo a lâmpada da fé acesa através da oração e da palavra.
A segunda aplicação é a santidade. O apóstolo Pedro, após descrever a destruição deste sistema de coisas, pergunta: 'Visto que tudo será assim desfeito, que tipo de pessoas é necessário que vocês sejam? Vocês devem viver de maneira santa e piedosa' (2 Pedro 3:11). A expectativa do retorno de Jesus deve purificar nossas motivações. Se cremos que em breve compareceremos diante dEle, não podemos nos conformar com os padrões pecaminosos deste século. A santidade é a vestimenta adequada para quem espera o Rei.
A terceira aplicação é o serviço e a missão. Na parábola dos talentos, o senhor diz aos servos: 'Negociem até que eu volte' (Lucas 19:13 - parábola das minas). A esperança do retorno de Cristo não deve gerar passividade, mas diligência no trabalho do Reino. Temos uma urgência evangelística: o tempo é curto e as pessoas precisam ouvir as boas novas antes do dia do julgamento. Servir à igreja, usar nossos dons e sustentar a obra missionária são formas de dizer 'Ame' (Vem) Senhor Jesus.
Além disso, a doutrina da segunda vinda deve produzir em nós consolo e perseverança. Em 1 Tessalonicenses 4:18, após falar sobre o arrebatamento e o encontro com o Senhor, Paulo instrui: 'Portanto, consolem-se uns aos outros com estas palavras'. Quando enfrentamos o luto, a doença ou a perseguição, lembramos que este sofrimento é leve e momentâneo comparado ao peso eterno de glória que nos será revelado. A volta de Jesus é o remédio contra o desespero.
Por fim, devemos cultivar o anseio pela Sua vinda. Paulo fala em 2 Timóteo 4:8 que há uma coroa da justiça guardada para todos os que 'amam a sua vinda'. Você ama a vinda de Jesus ou teme que ela interrompa seus planos terrenos? O coração cristão maduro deseja a glória de Deus acima de qualquer projeto pessoal. Viver com a mente na eternidade nos ajuda a investir naquilo que é perene e a desfrutar das bênçãos terrenas com a gratidão de quem sabe que o melhor ainda está por vir.
Conclusão
Meus irmãos e irmãs, a doutrina da volta de Cristo não é um apêndice da nossa fé; ela é o clímax da história da redenção. Tudo o que vivemos hoje, nossas lutas contra o pecado, nosso serviço na igreja e nossa adoração pública, aponta para o dia em que o Cordeiro que foi morto assumirá Seu trono de forma visível e definitiva. A volta de Jesus é a certeza de que a justiça prevalecerá, que a dor terá fim e que a glória de Deus encherá a terra como as águas cobrem o mar. Não vivemos para este mundo, mas para o Reino que está por vir. Essa esperança deve ser o motor que nos impulsiona a viver com integridade e paixão.
Portanto, ao sairmos daqui hoje, que a pergunta em nossos corações não seja apenas 'quando Ele virá?', mas 'como Ele me encontrará quando vier?'. Que Ele nos encontre trabalhando, amando, perdoando e anunciando o Seu Evangelho. Se você ainda não depositou sua confiança em Cristo, hoje é o dia da salvação. Para o crente, a volta de Jesus é a maior das promessas; para aquele que está longe de Deus, é um chamado urgente ao arrependimento. Que possamos unir nossas vozes à igreja de todos os tempos e dizer com convicção: Maranata! Ora vem, Senhor Jesus! Amém.
Oração final
Soberano Deus e Pai, agradecemos-Te pela clareza da Tua Palavra e pela bendita esperança do retorno de Teu Filho. Pedimos que o Senhor nos ajude a viver à luz dessa promessa todos os dias. Que a vinda de Jesus não seja um medo para nós, mas nossa maior alegria. Santifica a Tua Igreja, desperta os que dormem e fortalece os cansados. Que nossa vida seja um testemunho vivo de que cremos que o Rei está voltando. Em nome de Jesus, nosso Redentor, oramos. Amém.
Referências adicionais
- Atos 1:11
- 1 Tessalonicenses 4:13-18
- 2 Pedro 3:1-13
- Apocalipse 22:12-21
- 1 Coríntios 15:50-58
Palavras-chave
- Escatologia
- Segunda Vinda
- Jesus Cristo
- Esperança Christian
- Presbiterianismo
- Juízo Final