ExpositivoGeralARCPor Pr. Andrea Coratto

Sermão

A Parábola do Filho Pródigo: O Pai que Corre

O coração do Pai que recebe de volta o filho perdido

Quando ele ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

Lucas 15:20

Introdução

Em todo o ensino de Jesus, talvez nenhuma parábola tenha tocado mais corações ao longo dos séculos do que esta. Conhecida como 'A Parábola do Filho Pródigo', deveria, na verdade, chamar-se 'A Parábola do Pai que Espera'. Porque o herói da história não é o filho que volta — é o pai que nunca deixou de olhar a estrada.

O contexto de Lucas 15 é fundamental: Jesus está sendo criticado pelos fariseus por receber pecadores e comer com eles. Em resposta, Ele conta três parábolas sobre coisas perdidas — uma ovelha, uma moeda e um filho. Em cada uma, o que se perdeu é encontrado, e em cada uma há festa no céu. Mas é nesta terceira que Jesus revela o coração de Deus de forma mais comovente.

Hoje, talvez você esteja na estrada, voltando. Ou talvez esteja como o filho mais velho, ressentido por ver outros sendo recebidos. Ou ainda esteja como o pai, esperando alguém voltar. Esta palavra é para você.

1. O filho que vai embora — quando o coração se perde antes do corpo

Disse o mais moço deles a seu pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. (Lucas 15:12)

O filho mais novo faz um pedido escandaloso para a cultura judaica do primeiro século: 'Dá-me a parte da herança que me cabe'. Na prática, ele está dizendo: 'Pai, queria que você estivesse morto. Já que ainda está vivo, me dê o que eu teria se você tivesse morrido.'

O que ele queria, no fundo? Liberdade sem responsabilidade. Bênção sem o doador. Os recursos do Pai, mas longe da face do Pai. E o pai — surpreendentemente — concede. Porque o amor verdadeiro respeita a liberdade.

Antes de o filho ir, ele já tinha ido no coração. O afastamento físico foi apenas o último capítulo de um afastamento interior que vinha há tempos. Quantos cristãos ainda estão fisicamente na igreja, mas já partiram há meses no coração? Quantos jovens ainda moram na casa dos pais, mas espiritualmente já foram embora?

O texto diz que ele 'desperdiçou' tudo 'vivendo dissolutamente'. A vida longe do Pai sempre custa caro. No início parece liberdade — depois vira escravidão. No início parece festa — depois vira fome.

Ilustração

Conta-se que um pai chinês, ao saber que seu filho havia se entregado às drogas em outra cidade, vendeu tudo o que tinha, viajou pelo país por meses e colou cartazes em milhares de paredes com a mensagem: 'Filho, volte para casa. Eu te amo. Te perdoo. Estarei te esperando.' O filho, ao ver um daqueles cartazes, chorou e voltou. Essa é uma sombra pequena do que Deus fez em Cristo: pregou no Calvário um cartaz para o universo dizendo 'Volte, eu te amo'.

2. O filho que cai em si — quando a fome do corpo desperta a fome da alma

E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui pereço de fome! (Lucas 15:17)

Há um momento crucial na parábola: 'tornando em si'. O texto grego sugere literalmente 'vindo a si mesmo'. Como se, durante toda a vida dissoluta, ele estivesse fora de si — vivendo um personagem, fugindo da própria identidade.

Foi necessário chegar ao fundo do poço — alimentando porcos (algo impuro para um judeu) e desejando comer a comida deles — para que ele finalmente acordasse. Muitas vezes Deus permite que o ser humano alcance o fundo, não para destruí-lo, mas para que ele olhe para cima.

O momento da volta começa com três passos: (1) Reconhecimento — 'eu pereço de fome'. Ele admite a realidade. (2) Memória — 'os jornaleiros do meu pai têm pão em abundância'. Ele se lembra de quem é o Pai. (3) Decisão — 'Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai'. Ele age.

Você não voltará para Deus enquanto romantizar o lugar onde está. O primeiro passo do arrependimento é a coragem de chamar a vida sem Deus pelo nome correto: fome. Vazio. Morte.

Ilustração

Charles Spurgeon contou de um homem que, depois de anos longe da igreja, voltou em lágrimas. Quando perguntado o que o trouxe de volta, ele respondeu: 'A lembrança do café da manhã da minha mãe. Eu tinha tudo: dinheiro, prazer, fama. Mas eu daria tudo para ter de novo aquela mesa com pão simples e oração antes de comer.' Às vezes a saudade do que era simples é o sussurro de Deus chamando para casa.

3. O Pai que corre — quando a graça vai mais rápido que o pecado

Quando ele ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. (Lucas 15:20)

Aqui está o ponto mais comovente da parábola. O texto diz que o pai 'viu-o quando ele ainda estava longe' — isso significa que ele estava olhando. Todos os dias, há meses talvez, ele subia ao terraço da casa e olhava a estrada. O coração do Pai nunca parou de esperar.

E então, três ações impressionantes: ele se moveu de compaixão, ele correu, ele se lançou ao pescoço do filho. Um patriarca judeu respeitável não corria. Correr era humilhante, infantil, vergonhoso. Para correr, o homem tinha que erguer a túnica, expor as pernas — um ato de profunda humilhação social. Mas o Pai não pensou na própria honra. Pensou no filho.

Veja a sequência: o filho preparou um discurso de penitência ('Pai, pequei contra o céu e perante ti...'), mas o pai o interrompe e ordena: 'Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés.' Roupa = dignidade restaurada. Anel = autoridade restaurada. Alparcas = filiação restaurada (escravos andavam descalços; filhos calçados).

Isso é graça. Não é o filho voltando que muda o pai — é o pai correndo que recria o filho. A salvação não começa quando você decide voltar. Ela começou quando Deus, em Cristo, correu até você no Calvário.

Ilustração

Uma menina de 9 anos perdeu-se de seus pais em um shopping. Quando a equipe de segurança a encontrou, perguntou: 'Como vamos achar seus pais?' A menina respondeu, com confiança: 'Não se preocupem. Meu pai está me procurando agora. Ele sempre me acha.' Cinco minutos depois, o pai chegou ofegante, e ela correu para ele. Quando perguntaram à criança como tinha tanta certeza, ela disse: 'Porque é o meu pai. Ele sempre vem.' Essa é a confiança que Deus quer que você tenha hoje.

Conclusão

A parábola termina com uma festa — mas também com uma pergunta em aberto. O filho mais velho, ressentido, recusa-se a entrar. O pai sai e implora. E Jesus deixa a cena suspensa, sem dizer se o mais velho entrou ou não. Por quê? Porque a pergunta é para nós: você vai entrar na festa da graça?

Há três personagens nesta parábola, e você pode estar em qualquer um deles. Talvez seja o filho mais novo, longe de casa, alimentando porcos do mundo. A boa notícia é: o Pai está olhando a estrada. Volte. Ele vai correr.

Talvez seja o filho mais velho, na igreja há anos, mas com o coração endurecido contra os que voltam. Cuidado: você pode estar perto do Pai geograficamente, mas longe Dele no espírito. Entre na festa.

Talvez seja o pai, esperando alguém voltar. Continue olhando a estrada. Continue orando. O mesmo Deus que trouxe o filho da parábola pode trazer o seu também.

Oração final

Pai amado, eu reconheço hoje que sou esse filho. Em alguns momentos da vida, peguei o que era Teu e fui embora. Desperdicei dons, tempo, oportunidades. Mas a Tua compaixão correu mais rápido que o meu pecado. Obrigado por nunca ter deixado de olhar a estrada. Obrigado pela roupa nova, pelo anel, pelas sandálias. Obrigado, Pai, por correr até mim em Jesus Cristo. Hoje eu entro na festa. E peço que cures o coração dos que ainda estão na estrada — traze-os de volta. Em nome de Jesus, amém.

Referências adicionais

  • Lucas 15:1-32
  • Isaías 55:6-7
  • Salmo 103:8-14
  • Efésios 2:4-7
  • Romanos 5:8

Palavras-chave

  • filho pródigo
  • arrependimento
  • graça
  • perdão
  • pai amoroso
  • lucas 15

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